Zeitgeist: Arte da Nova Berlim

(Fonte: http://mundovastomundo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/arte_berlim.jpg)

      A exposição que vai até o dia 12 de outubro no CCBB de Brasília, com a curadoria de Alfons Hug, mostra o que Berlim pós Guerra Fria adquiriu culturalmente, o que o nome "Zeitgeist" exatamente representa: o espírito da época.

(Foto por Gabriela Fonseca)


     Ontem aconteceu uma palestra com o fotógrafo alemão Sven Marquardt, que mostrou sua série de fotos, "Manada". Sven é um dos artistas que expõe seus trabalhos no evento e que falou sobre a história e o significado do Zeitgeist vivido pelos berlinenses, além do cenário da Alemanha Oriental durante seu crescimento.
     Nascido um ano após o início da construção do Muro de Berlim, Sven cresceu com a separação, e afirma que a Alemanha Oriental que se declarava como República Democrática Alemã, na prática era uma verdadeira ditadura. O fotógrafo também fala que fez seu nome durante a Guerra Fria, pois enquanto estava na escola, não tinha interesse em nenhuma profissão, mas a Alemanha Oriental exigia isso, foi então que ele conheceu a fotografia e passou a se dedicar ao ofício.

(Fonte: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/b2/a8/5c/b2a85c2d7c21e8fd2061bdf040af5d0c.jpg)

     Porém, mesmo com a dedicação à fotografia, Sven ainda sentia saudade de "um lugar em cor", e até acabou recusando ir ao Sul da França para expor o seu trabalho alegando que antes de mostrar sua cidade, ele mesmo precisava conhecer a "Berlim única", já que na situação vivida, ele transpirava infelicidade.
     Após a queda do muro, em 1989, houve a fase do anarquismo em Berlim, e foi quando ele parou de fotografar, dizendo que: "a Alemanha Oriental me privava da minha indentidade".
     As pessoas não entendiam as imagens de Sven, já que não tinham as frustrações de uma Alemanha separada pelo muro. 
     Além do mais, Marquardt fala sobre a importância do local de cada foto: "É onde há o encontro entre o protagonista e o fotógrafo", e por isso também ele não fotografa em suas viagens, um dos motivos é exatamente a intimidade adquirida, procurando emoções nos modelos que o faça sentir um certo desconforto.
     Em 1993, começou a trabalhar como leão de chácara nos clubes noturnos, e continua com o trabalho até hoje. É nesse período que ele decide também voltar a fotografar.
     Sempre utilizando a luz natural, atualmente ele fotografa homens, afirmando que isso tem a ver com o seu papel de homem na sociedade.
     Sven Marquardt também fala um pouco sobre a atual Berlim, que modernizou-se e foi tomada pela camada mais nobre, e a população antiga e tradicional da cidade foi sendo expulsa aos poucos com o aumento do custo de vida, levando-os a viverem em locais mais baratos.

     
(Foto por Gabriela Fonseca)

      Comumente afirmo que a curadoria do CCBB é a melhor de Brasília, por proporcionarem a todos um bom aproveitamento dos eventos que acontecem. Faz parte de sua experiência dentro do espaço aprender e acrescentar sobre os diversos assuntos abordados. 
      Mas, desta vez, aconselho a quem deseja visitar a exposição, que antes pesquise sobre a mostra e o significado do movimento artístico, para assim conseguir absorver o máximo que puder de todas as coisas boas que a exposição traz, consciente o suficiente para analisar e apreciar o trabalho dos artistas. 
      Selecionei algumas músicas dos Djs que tocaram no evento do CCBB de Belo Horizonte, para você que pensou em ir e você também que nem pensa em comparecer, estas músicas talvez animem e ajudem a confirmar a presença de todos lá até o dia 12 de outubro! 
      Lembrando também que o CCBB fecha às terças, o horário de funcionamento é de 09:00 às 21:00 e tem o ônibus gratuito para quem quiser, basta clicar aqui para ver os horários e o trajeto.

Ego - Burial & Four Tet ft. Thom Yorke


Evil Twin - Modeselekor ft. Otto Von Schirach


Shipwreck - Modeselektor ft. Thom Yorke


      

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